reflexão

O playground

“E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua fé te salvou.” Lucas 17: 19

Domingo de céu claro, muito claro. Poucas nuvens. Umas mais densas que outras e, vez ou outra, raios de sol surgiam fulgurantes de dentro delas. Ao meu redor, verde. De árvores, arbustos, grama. Jardins bem cuidados completavam o que parecia ser um quadro pintado pelo próprio Senhor.

Passando por mim, pessoas, umas correndo, outras andando. Estava num parque num dia em que literalmente minha alma clamava por uma palavra de Deus. Estava angustiado. Orava, enchia os olhos de lágrimas e as afastava com a costa da mão. Longe em pensamento, longe em espírito, longe em atitudes, longe em discursos vazios até que, parei em frente a um local reservado para crianças brincarem. Sentei-me então, num banco ao lado. As pessoas continuavam passando, indo e vindo pelo playground.

Comecei a observar. Vi crianças sozinhas, outras com amiguinhos, algumas com pais outras com mães. Elas pulavam de um canto a outro, riam, motivavam outras com medos de alguns brinquedos, falavam, escutavam. Alguns pais observavam de longe, outros de mais perto. De repente, uma que estava comedida nas estripulias caiu e chorou, muito. Algumas crianças pararam e apenas observaram a cena, outras continuaram a brincar como se nada tivesse acontecido.

Do nada e logo de imediato um pai correu para socorrê-la. Levantou-a e a colocou no colo. Em minutos a criança parou o soluço, ganhou um forte abraço do pai, desceu do colo e começou a brincar novamente. Parece-me até que, com mais coragem. O socorro do pai veio em hora e dose certa. Imediatamente minha alma aquietou-se. Deus tinha falado comigo. Mostrou-me que eu era aquela criança que havia caído e, quando precisei, mesmo estando cercado por pessoas, Ele é que veio em meu socorro. Ele é que me abraçou forte. Ele é que enxugou minhas lágrimas, olhou nos meus olhos e disse: continue. Deus não brinca com a humanidade, mas, ela insiste em brincar com Deus.

Muitas vezes estamos rodeados por pessoas que nos querem bem, outras nem tanto, mas, tanto uma como outra também tem seus problemas, suas dificuldades e sua hora de tombo. Bom seria que, quando alguém caísse não olhássemos simplesmente, mas fôssemos imediatamente em seu auxílio.

Talvez isso esteja acontecendo com você agora, que esteja no chão, mas digo, com toda certeza do mundo, apenas levante à cabeça e verá Cristo de braços abertos para reerguer você, abraçar você, enxugar suas lágrimas e olhar diretamente em seus olhos para lhe dizer também: continue!

Fraternalmente em Cristo
Pedro Pimenta